Groovy’s virtual

Meu nome é Cristiane. Nasci em 24/04/64. Perceberam quantos números 4? Esse número me lembra quatrilho, dois pares perfeitos ou então um quadrado com seus quatro lados iguaizinhos… Enfim, pensando nisso tudo me lembrei que a vida não é perfeita, não é um quadrado ou não é redondinha para quem preferir, como um círculo perfeito.

Uma ideia puxa a outra e é de ideias e palavras que vivem e sobrevivem os escritores e deixando a matemática e a geometria de lado, me considero uma escritora, ou melhor, alguém que brinca com a língua escrita, amada língua portuguesa. Deus salve Camões e Pessoa! Quem sou eu perante tais gênios? Mas continuarei humildemente rabiscando palavras, juntando pontos (adoro reticências), costurando versos, contando histórias, lendo e relendo Machado e Clarice…

Voltando ao primeiro parágrafo onde geralmente se localiza o tópico frasal (rsrsrs) a vida não é perfeita, nem eu. Nasci no ano de uma revolução. Ano passado escrevi uma carta para meu filho André me desculpando por não ter conseguido realizar a tão sonhada revolução que minha geração ainda acreditava ser possível, queria tanto um país melhor para o meu e para todos os filhos desta nação.

Em 1982 eu fazia parte da Convergência Socialista. Saíamos às ruas gritando que as Ilhas Malvinas não eram inglesas e sim argentinas, admirávamos Cuba, tínhamos camisetas e fotos de Che. Foi nesse mesmo ano que participei da fundação do PT em Jundiaí, um partido que nasceu “rachado” com dois candidatos, um médico “burguesinho”, adorávamos esse termo e um operário metalúrgico, claro… Foi um fiasco, mas isso é outra história.

O que conta é que conheci pessoas bem legais como Erazê, Galvão, Arnaldo, Mané Melato, Guttemberg, Drácula, Décio, Marcão, Reinaldo, Bita, Venâncio, Casca, Rato, Sandra, Edna, Celinha, Roberto de Santis, Gariba, Maurício, Gentil e mais três pessoas que eu gostava de modo especial e que hoje estão no céu: Geraldo Coelho, José Henrique e nosso querido Chocolate. Nem todos pertenciam ao partido, mas o ponto de encontro era o mesmo bar, o Groovy’s, em frente à Praça Rui Barbosa. Seu proprietário era o Portuga. Era uma mistura: jornalistas, intelectuais, bichos grilo, músicos e vagabundos, no bom sentido.

Vocês devem estar se perguntando: o que essa louca quer com esse megatexto? Simples, gostaria que me conhecessem um pouquinho e também convidar todos aqueles que em algum momento na vida frequentaram esse momento político, esse boteco, que entrassem em contato comigo através do blog para um futuro reencontro. Um brinde!

preciiiiiisa

 

 

 

 

 

 

by Cristiane Gozzo

Comentários (4)

ArnaldoAugust 3rd, 2009 at 21:39

Muito bacana o texto. Eu sempre preferi os debates anarquistas do boteco aos debates partidários, creio que por defeito de fabricação de minha pessoa. Porém esse momento do Groovy´s remete ao espírito do filme “Bar Esperança – O Último Que Fecha” como algo tão singular que brilha para sempre em quem bebeu (literalmente) daquela fonte.

P.S.: Esta crônica está reproduzida na seção homônima do meu site.

fore_xstra_tegyDecember 21st, 2009 at 18:37

I am definitely bookmarking this page and sharing it with my friends.

:)

wheyp.roteinsideeffectsDecember 21st, 2009 at 23:44

Very great site.
The message here is super valuable.

I will refer it to my friends.

Cheers

edmundoMay 31st, 2010 at 11:00

Olá!
morei em Jundiaí em 1982 e frequentei reuniões para discutir as candidaturas de dois metalurgicos. Ficávamos em uma pequena sala e usávamos ainda codinomes…pelo menos de minha parte eu pouco conhecia os presentes. Na época me juntei a um grupo intitulado Alicerce da Juventude Socialista e participava da organização do movimento secundarista e da venda jornais em meu colégio (Ana Paes). Isso faz algum sentido para vocês?

Escreva seu comentário!

Seu comentário